A confederação que reúne as associações de pais concorda com o alargamento do conceito de escola a tempo inteiro ao segundo ciclo, defendendo ainda uma redução do número de disciplinas e a sua reorganização por áreas de saber.
A ministra da Educação revelou hoje, em entrevista à Agência Lusa, que o Governo vai alargar ao segundo ciclo o conceito de "escola a tempo inteiro" que introduziu na antiga primária, reorganizando o horário e o currículo, nomeadamente através da concentração de disciplinas.
Maria de Lurdes Rodrigues explicou que o modelo será muito semelhante ao do primeiro ciclo, sendo remetidas para "o final do dia" as actividades de enriquecimento curricular ligadas às expressões e ao estudo acompanhado, de forma a "concentrar na parte lectiva o essencial das actividades associadas à aquisição de competências básicas".
No âmbito da revisão do currículo do segundo ciclo, que estará concluída até Março, o Ministério da Educação quer ainda concentrar algumas disciplinas para reduzir o número de docentes a leccionar em cada turma.
"Iremos trabalhar com o Governo na implementação desta medida procurando aproveitar a experiência adquirida com a escola a tempo inteiro no primeiro ciclo e procurar evitar os constrangimentos práticos que a medida teve na aplicação" à antiga primária, afirmou à Lusa Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), lembrando que a medida estava prevista e pretende acertar o ensino português com o que é praticado no resto da Europa.
Entre os principais "constrangimentos" verificados na aplicação da medida ao primeiro ciclo, o responsável pelas associações de pais salienta edifícios deficientes e "instalações sem cantinas, pavilhões gimnodesportivos para a componente lúdica e sem salas para a componente de música".
"Queremos acreditar que, no caso do segundo ciclo, pela configuração das escolas, este problema não se porá com a mesma acuidade do primeiro ciclo", afirmou.
"As escolas EB 2/3 têm esses equipamentos, mas resta saber se é possível articulá-los com o modelo de funcionamento de uma escola a tempo inteiro que tenham estas actividades e outras relativas a miúdos do quinto e sexto anos", realçou.
Os pais concordam ainda com uma redução das cargas horárias e defendem o reagrupamento das actuais disciplinas por áreas de saber.
"Há muito tempo que nós dizemos que os currículos do 2º ciclo e do 3º ciclo têm de ser revistos. São currículos imensos e faz sentido agrupar as disciplinas por áreas e, nesse ponto de vista, nós não partilhamos a ideia de que possa ser feito por um professor único", defende, realçando que "deve haver pelo menos um professor de língua portuguesa, um professor de matemática e um professor de expressões", as três áreas que considera fundamentais no currículo do segundo ciclo, onde as crianças chegam depois de quatro anos com um só professor.
"Este é um enorme trambolhão que as crianças dão e, portanto, faz sentido trabalhar por áreas e reduzir o currículo. Estamedida deve procurar recolher o melhor do que são não só as experiências de outros países como ainda a aplicação da medida ao primeiro ciclo cá", disse, considerando que trabalhar por áreas de saber contíguas, como matemática e físico-quimicas, por exemplo, será benéfico para os alunos de forma a reduzir as aulas, as disciplinas e o peso das mochilas, por exemplo.