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Talentitanto ajuda crianças carenciadas através da música
24-02-2014
Correio do Minho
  Talentitanto é um projecto que nasceu pela mão de uma mulher improvável, com um percurso improvável que decidiu abraçar causas de crianças improváveis. Apesar de toda a improbabilidade, Talentitanto assume-se hoje como um projecto educativo de inclusão onde muitas crianças, portadoras de vários tipos de carências (económica, mas principalmente de ordem afectiva), encontram a resposta que, na maioria das vezes, não conseguem encontrar na escola, na sociedade. É através da música que Cristiana Gonçalves, professora de música e mentora do projecto, chega a estas crianças.

"Mais do que ensinar música, valorizo a sua parte humana, procurando dar-lhes ferramentas para criarem uma estrutura sólida", diz a responsável. Formada pelo Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, Cristiana Gonçalves fez o percurso de escolaridade dito ‘normal’, mas confessa que nunca se ajustou ao mesmo.

"Quando me tornei professora de música achei que fazia todo o sentido recriar uma pedagogia própria. A que vigorava não resultava", diz. Esta é uma pedagogia que não se consegue traduzir por palavras, mas antes por afectos, por sensações. "A música é só um veículo, um caminho", diz Cristiana.

A mentora do Talentitanto teve oportunidade de colocar pela primeira vez em prática este ‘método’ quando o seu filho - também ele uma criança improvável - se debateu com problemas na escola por não se conseguir adaptar ao sistema de ensi- no e obter resultados apesar de ter um QI acima da média.

"Obtive bons resultados com ele. Logo de seguida começaram também a aparecer alguns amigos", refere a professora, longe de imaginar nessa altura que esse seria o ponto de partida para um projecto que viria a ter grande sucesso.

"Comecei a envolvê-lo mais em termos de afecto, perceber o que lhe faltava. Ele não atingia uma série de objectivos porque se sentia desintegrado. Tinha falta de auto-estima, era uma criança com hiperactividade e déficit de atenção. Portanto , tive de recriar um ensino só para ele. Um ensino sem lacunas, sem vácuos, com actividades constantes. A música é excelente para isso porque nos obriga a produzir mais de seis mil pensamentos em pouco tempo", refere.

E foi com este método, que atende às especificidades de cada um , que Cristiana começou a ajudar outras crianças, maioritariamente da freguesia de Maximinos, onde o filho frequentava a escola. "Consegui constituir uma turma pequena", prossegue. E foi com estas crianças que deu vida ao projecto ‘Allegro’, que abrange as freguesias de Maximinos, Sé e Cividade.

"Cada criança era um projecto único. Não peguei no projecto e adaptei a cada um deles. Cada aluno é um projecto específico", continua a docente, referindo que as crianças apresentam vários tipos de necessidades e problemas, desde falta de auto-estima, problemas de integração, sendo, por vezes, provenientes de famílias desestruturadas e monoparentais.

A improbabilidade que caracteriza este projecto estendeu-se também às aulas que começaram por se realizar em sua casa. "Começava-as de uma forma totalmente desconstruída. Começava por falar da escola, das notas, do que se passava em casa e só depois passávamos à música que acabava por funcionar como um bálsamo. Primeiro falávamos das dores e depois íamos à música, de uma forma nunca controlada", diz a docente, dando como exemplo o facto das aulas nunca terem uma duração definida. "Duram o tempo que precisarem de mim. Se precisarem de estar uma, duas horas é isso que têm. Se precisarem de estar comigo três, quatro vezes por semana, estou com eles esse tempo", revela.

As aulas começaram por ser totalmente gratuitas mas "os pais acharem que não tinha sentido e começaram a pagar um valor simbólico para haver uma conexão, para eu passar a ser a professora e não só uma amiga e eles os alunos", prossegue. E é através da música, sendo ela apenas um pretexto válido, que Cristiana chega "às dores" destas crianças.

Com a casa cheia de alunos, a professora sentiu necessidade de arranjar um espaço, proposta que foi colocada à junta de Maximinos que prontamente cedeu um espaço na junta da Cividade, nascendo então o projecto ‘Allegro". Constitui-se também como uma associação sem fins lucrativos, facto que lhe permitiu estabelecer parcerias e obter mais credibilidade junto da sociedade.

Nova sede torna-se num espaço de afecto

"O homem sonha, a obra nasce". Esta frase de Fernando Pessoa ilustra bem a máxima da Associação Talentitanto que procurou sempre, apesar das dificuldades, vingar o seu propósito de formar cidadãos cada vez mais cultos, autónomos, responsáveis, solidários e democraticamente comprometidos na construção de um destino colectivo.

Uma das grandes metas foi conseguida na passada sexta-feira com a inauguração da nova sede, localizada na Quinta Santa Maria, em Maximinos (perto dos TUB/EM). O sonho foi possível também graças a um benemérito, a empresa MCM, que cedeu o espaço "onde tudo nasce", como diz Cristiana Gonçalves, mentora do projecto.

A inauguração deste espaço de afectos, que vai albergar cerca de 70 crianças, contou com a presença de várias personalidades, entre eles o presidente da câmara de Braga. Oportunidade para Cristiana dar a conhecer ainda outro projecto: ‘Vivarte’, que nasceu já no seio da nova sede. Um projecto que se baseia na educação expressiva, tendo como princípios a actividade, a liberdade e a auto-educação.

O sujeito aprende através da descoberta pessoal, vivenciando e experimentando as diversas situações. Também aqui as artes assumem o papel de veículo condutor, já que promove oportunidades de auto-expressão, trazendo o mundo interior de cada um para o mundo exterior da realidade concreta.

"Foi um projecto pensado para as minorias. Apesar de ter um carisma muito parecido com o ‘Allegro’, é um projecto para minorias. Todas as minorias que se possam imaginar. Nem sempre uma minoria tem a ver com a cor da pele, tem a ver também como a sociedade os exclui", diz a professora de música.

Neste projecto, Cristiana Gonçalves conta com a colaboração de uma equipa de dez pessoas, entre psicoterapeutas e professores, além de inúmeros voluntários. Entre os grupos com quem trabalha, a dirigente destaca o projecto ‘Tecla’, que trabalha com crianças do bairro de Santa Tecla.

"O grupo que temos em parceria com o projecto ‘Geração Tecla’ é um grupo com quem nos dá muito prazer trabalhar. Somos nós que nos deslocámos lá. As crianças têm música e hip hop". A docente de música explica o processo de intervenção. "A primeira preocupação é trabalhar o lado humano. Eu só consigo ensinar se envolver o aluno. De outra maneira eles não querem porque uma rigidez de ensino já têm na escola. Não fazem, desistem", prossegue a responsável, indicando que trabalha com muitas jovens que já desistiram da escola.


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