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Crianças Índigo
Março, 2008
Victor Silva - Psicólogo

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  A criança tem "excesso de energia"? "Não aceita a autoridade"? "Tem dificuldade em concentrar-se"?"Tem mudanças repentinas de humor"?

   Um psicólogo tradicional pensaria "possibilidade de ter uma perturbação de hiperactividade". Mas não é disso que se trata…São crianças índigo e têm até auras azuladas (índigo)…Vieram para nos salvar e promover a nossa evolução…Não precisam de ser educadas, apenas amadas. Mais uma crença perigosa.

   O termo "Criança Índigo" foi criado por Nancy Ann Tappe, uma psíquica (supostamente tem poderes paranormais) que classificou as pessoas segundo a sua aura, num livro de 1982. Segundo a Nancy, o fenómeno índigo é reconhecido como uma das mais excitantes mudanças na natureza humana que já foram registadas. As crianças índigo são fáceis de reconhecer pelos seus olhos grandes e claros. São extremamente inteligentes e precoces, com uma memória espantosa e um forte desejo de viver instintivamente. Estas "crianças do próximo milénio são almas sensíveis com uma consciência evoluída que vieram cá para ajudar a mudar as vibrações das nossas vidas e criar uma terra, um globo e uma espécie. Elas são a nossa ponte para o futuro"(1).

   Os defensores da existência destas crianças dizem que muitas crianças diagnosticas com a desordem de défice de atenção são afinal índigo e que representam uma nova evolução na espécie humana e que, portanto, não precisam de medicação, mas sim de treino especial e atenção (nada contra esta última afirmação…as crianças com hiperactividade necessitam realmente de atenção especial).

   As crianças índigo são reconhecidas pela sua aura e por outros traços. O "Índigo Clildren Website"(2) aponta:

1- Vêm ao mundo com um sentimento de realeza (e comportam-se como tal)
2- Têm um sentimento de "merecerem estar cá" e ficam surpreendidos quando os outros não partilham essa ideia
3- Têm dificuldade com a autoridade absoluta (autoridade sem explicação ou escolha)
4- Simplesmente não fazem certas coisas; por exemplo, esperar numa fila é difícil para elas
5- Parecem antisociais a menos que estejam com os seus iguais. Podem virar-se para dentro de si mesmas, sentindo que ninguém as compreende. A escola é muitas vezes difícil para elas do ponto de vista social
6- Não respondem à disciplina baseada na culpa ("espera até o teu pai chegar a casa e descobrir o que fizeste"
7- Não são tímidas em fazer saber o que precisam

   Muitos destes "traços" são perfeitamente normais e habituais numa criança, mesmo as não índigos: 1-Muitas crianças acham-se reis ou rainhas ou princesas e comportam-se como tal (geralmente porque os pais assim as fazem sentir-se e permitem;

2- As crianças, até por factores desenvolvimentais, julgam que o mundo gira à volta delas;
3- Qual a criança (ou adulto) que não tem dificuldades com autoridades absolutas sem explicação?;
4- Uma criança a esperar numa fila é sempre uma coisa complicada, acho eu;
5- Quando as crianças não estão com os amigos, não é de espantar que fiquem mais retraídas, o convívio na escola não é, pelo menos ao inicio, fácil para todos e outros factores podem originar este comportamento;
6- Quanto à culpa, dependendo da idade, convém até que exista, até porque é um sentimento normal e estruturante do que se deve ou não fazer. Uma criança que não responde à ameaça da chegada do pai provavelmente não reconhece a sua autoridade;
7- Qualquer criança geralmente sabe dizer o que quer…nem que seja fazendo birras.

   Como se vê, as próprias características de uma criança índigo são suficientemente amplas para incluir qualquer criança. Mas ainda falta um critério importante; a aura.

   Auras

   As auras são supostamente emanações de objectos, como se fossem energia. Dizem os paranormais que as cores das auras indicam personalidade das pessoas ou problemas que a pessoa tenha. Naturalmente, nada disto foi alguma vez comprovado, antes pelo contrário. Existem pessoas que dizem ser capazes de ver auras. Isto explica-se de várias formas, desde problemas em termos de percepção, enxaquecas, problemas no sistema visual ou dano neurológico. Qualquer um, mesmo sem ter estes problemas ou capacidades paranormais, pode ver auras: Basta olhar para um objecto ou pessoa, contra uma superfície clara, numa sala escura. O fenómeno deve-se a fatiga na retina e a outros factores ligados à percepção. Não a coisas do outro mundo. Uma suposta forma de registar auras é a chamada fotografia Kirlian. A fotografia é feita aplicando um campo eléctrico a um objecto numa placa fotográfica. Contudo, também isto é facilmente explicável: o que é registado é fruto da electricidade, pressão, humidade e temperatura. "As coisas vivas são…húmidas. Quando a electricidade entra no objecto vivo, produz uma área de gás ionizado à volta do objecto fotografado, assumindo que há humidade no objecto. Esta humidade é transferida para superfície do filme fotográfico e causa uma alteração no padrão da carga eléctrica no filme. Se a fotografia for tirada no vácuo, onde não há gás ionizado, não parece nenhuma imagem Kirlian"(3) ou seja, se a aura fosse uma energia paranormal, manter-se-ia mesmo no vácuo…

   O Problema com as Crianças Índigo

   Como vimos, as supostas características de crianças índigo são também as de crianças não índigo. Por outro lado, a ênfase dos defensores deste fenómeno tem a ver com as características de dificuldade de estar quieto, desafio à autoridade, serem crianças muito inquisidores, não conseguirem estar a fazer a mesma tarefa muito tempo. Estas características podem indiciar uma perturbação de hiperactividade. Nunca é fácil para um pai saber que o seu filho tem problemas a este nível, daí ser mais fácil acreditar que este afinal é "especial" e que tem um "tarefa" a desempenhar no mundo. O problema é que ao assumir que tem um filho índigo pode estar a prejudicá-lo, negando-lhe apoio especializado e científico baseado numa crença sem qualquer tipo de validade. Ao não conseguir aceitar a realidade pode estar a prejudicar ainda mais o filho. Para além disso, ao que parece as supostas crianças índigo não devem ser disciplinadas…Ora isto também é perigoso. A educação faz-se de amor, mas também de regras e de respeito pela autoridade. Um filho que não tem culpa pelo que fez, que tanto se lhe faz se o pai vai ralhar com ele ou não, tem dificuldade em funcionar em sociedade, que, quer queiramos ou não, tem regras e hierarquias.

   Pode parecer mais interessante pensar que uma pessoa que ouve Deus a falar com ele é um profeta e não uma pessoa com problemas psiquiátricos. Pode parecer mais reconfortante pensar que um filho é uma criança índigo e não uma criança com um problema de hiperactividade. A questão é que o podemos prejudicar ou ajudar, consoante acreditamos no que nos diz o defensor dos índigos ou o médico...

Referências:
(1) http://skepdic.com/indigo.html
(2) http://www.indigochild.com
(3) http://skepdic.com/auras.html
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