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Fazer agora para ter depois - intervenções psicopedagógicas em várias faixas etárias
Setembro, 2013
Sofia Arriaga - Psicóloga Clínica, Terapeuta Familiar e de Casal

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  Muitas vezes olhamos para o futuro com medo, como se ele fosse um bicho papão. Outras vezes nem pensamos nele, dado que já vivemos assoberbados com o presente, e com todas as suas exigências e demandas.

  E se pudéssemos ver o futuro? Como gostaríamos de ver os nossos filhos, como os imaginamos ou queremos que eles sejam? Talvez se pudéssemos ver o futuro isso nos ajudasse a trabalhar o dia-a-dia, no aqui e agora, na vida de cada um de nós.

  Mas a maior parte das vezes não precisamos de ver o futuro, para saber como ele vai ser. Não vos parece? E isso porque o que fazemos agora, enquanto os nossos filhos são bebés e crianças pequenas, vai dizer-nos muito sobre como serão daqui a uns anos, durante a adolescência e até na idade adulta.

  Educar é um working in progress, que deve ser feito todos os dias, durante toda uma vida. E se plantarmos agora os frutos, poderemos colhê-los ao longo dessa fantástica jornada.

  Vamos pensar em alguns cenários e tentar perceber o que podemos começar a fazer já, para que o futuro seja mais fácil e para que não passemos esse mesmo futuro a desejar termos feito diferente no passado.

  Muitas vezes, por mais regras e bons exemplos que tenham tido nos primeiros anos de vida, chegam a adolescência e parece que se esquecem de tudo. Eclipsou-se. E arghhhhh, lá vamos nós outra vez. Mas acreditem, todos estes ensinamentos, tudo isto que vocês gostariam que eles fizessem, tem de ser praticado, tem de ser incentivado, tem de ser até exigido. E tem de ser elogiado! Durante muito e bom tempo. Isso ajudará mais facilmente que os comportamentos não desapareçam como por artes mágicas um dia mais tarde.

  Vou dizer outra coisa que já todos sabem: as mães não devem fazer tudo pelos filhos. Por vezes fazemos porque os achamos muito novos para fazer seja o que for. Muitas vezes fazemos porque também fizeram connosco. Muitas vezes fazemos apenas porque acaba por ser mais fácil. Fácil como se somos nós a ter de fazer e a ter esse trabalho?? Fácil porque impor regras, dar incentivos, criar listas com autocolantes de actividades bem realizadas, ser consistentes, dá trabalho, muito trabalho. Mas também é muito, muito recompensador.

  Atenção, uma das regras mais importantes para os pais é esta que agora vos deixo: não só devemos saber identificar o comportamento indesejado, como, acima de tudo, devemos ser capazes de saber dizer qual é o desejado.

  Para que um adolescente não deixe a roupa suja espalhada pelo chão do quarto, ou melhor, se queremos que os nossos adolescentes coloquem as roupas na máquina da roupa, se queremos que estendam a roupa, a apanhem e as arrumem nos devidos lugares, o que podemos fazer quando eles são mais pequenos?

  Quando são bebés, podemos logo começar a empilhar as roupas no quarto, servindo como modelos, e aos poucos vamos deixar que o façam, estando lá a ajudar.

  Aos nossos todlers (3 anos) devemos pedir que as levem para a roupa suja e que nos ajudem a separar a escura da clara e a metê-las na máquina.

  Às crianças maiorzinhas (6 anos), podemos pedir que continuem a fazer isso, mas que nos ajudem a dobrar meias e a dobrar outras roupas e que nos ajudem a levá-las para as gavetas e roupeiros, mostrando-lhes qual o lugar certo de cada peça.

  Para que um adolescente não deixe a loiça suja em qualquer lado, ou melhor, para que um adolescente coloque a loiça no lava loiça, que lave o seu prato, que lave a loiça de uma refeição ou que ponha a máquina a fazer..., o que podemos fazer quando eles são mais pequenos?

  Quando são bebés, faça-o entregar-lhe o prato quando acaba de comer. Esse simples gesto pode ser realmente muito importante e é assim que se começa.

  Se tiver um todler, faça-o levar o prato até ao balcão ou lava loiça.

  Se o seu filho já for maiorzinho, peça-lhe que a ajude a retirar as coisas da mesa, que a ajude a pôr a loiça na máquina e depois a tirar da máquina.

  Para que um adolescente não responda mal aos pais quando estes lhe pedem para fazer alguma coisa, ou melhor, se queremos que o nosso filho adolescente obedeça sem responder mal, o que podemos fazer enquanto ele é mais novo?

  Se ainda for bebé, tente não dizer "não" excessivamente ao seu filho. Devemos dizer desde muito pequenos, mais frequentemente, o que fazer do que aquilo que não deve fazer.

  A um todler, devemos corrigir, educada e calmamente, com comentários apropriados. Devemos ensinar o nosso filho a expressar sentimentos negativos de forma aceitável.

  A uma criança com mais de 6 anos devemos abordar imediatamente cada episódio de respostas indesejadas e definir comportamentos que não são de todo tolerados. Não se esqueça de ser consistente.

  Para que um adolescente não ignore as regras e solicitações dos pais, ou melhor, para que reconheça um pedido e para que responda adequadamente, o que podemos fazer nas etapas anteriores do seu desenvolvimento?

  Se ainda for bebé devemos fazer-lhe pedidos simples, claros e apropriados à idade.

  Se já tiver 3 anos, faça pedidos fáceis de compreender, e sempre a olhá-lo nos olhos. Se vai pedir que a criança vá buscar alguma coisa, não se esqueça de ver se esse objecto está ao nível visual do seu filho. E os pedidos devem continuar sempre a ser realizados com clareza e de modo específico.

  Se o seu filho já for maiorzinho, deve acompanhar o pedido com uma acção, se ele não responder ao pedido. Como assim, segurando-o na mão, ou empurrando-o gentilmente pelo ombro, para que vá consigo ver e realizar o pedido.

  Espero que vos tenha sido útil. Vamos continuar a pensar em cenários nos próximos posts desta rubrica.
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