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Famílias Tradicionais - Essenciais para o bom desenvolvimento dos Filhos?
Fevereiro, 2012
Pais para Sempre - Associação para a Defesa dos Filhos de Pais Separados
www.paisparasempre.eu

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  O termo "Família" é um dos mais emotivos do vocabulário humano. Para a maioria das pessoas está associado a "coisas boas" tais como amor, afecto, segurança, conforto e protecção.

  A Família é frequentemente entendida como a unidade fundamental da sociedade. A delinquência, a violência e a toxicodependência entre os jovens, são atribuídas automaticamente à falha de certas famílias em aderirem aos valores e padrões de comportamento tradicionais. Assim, o fortalecimento da Família é entendido como o objectivo principal de muitas políticas sociais e a solução para um variadíssimo leque de problemas da sociedade.

  Família tradicional é aquela que é formada por dois pais, pai e mãe, vivendo em comum, e onde as funções estão estritamente divididas entre os dois, sendo o pai o sustento do lar e a mãe o progenitor que assume a responsabilidade do trabalho doméstico e das crianças.

  Muito do conhecimento sobre a socialização da criança baseia-se neste tipo de família e, no entanto, as estatísticas resultantes de pesquisas efectuadas em vários países, revelam que, cada vez mais, as crianças estão a ser criadas noutros enquadramentos familiares, que não o tradicional: famílias monoparentais, famílias reconstruídas após o divórcio, famílias onde as mães trabalham fora de casa e que, por isso, dividem os cuidados dos filhos com terceiros, famílias onde o pai é o principal responsável pelos cuidados primários prestados às crianças, famílias que fazem parte de comunidades de grupo, e outras. O fenecimento da família tradicional parece ser, nos dias de hoje, uma realidade. A Família de hoje, segundo Daniel Sampaio, é um sistema emocional com várias modalidades organizativas, em que o nascimento do primeiro filho cria socialmente o agregado familiar.

  Os "desvios" da norma podem, assim, tomar muitas formas, mas apesar de, nas últimas décadas, muitas delas se terem tornado comuns, ainda continuam a ser alvo de discriminação e desaprovação, e do receio de que esses desvios do tradicional sejam prejudiciais para a Criança. Ainda prevalece a convicção de que a família nuclear convencional é a única que fornece o ambiente adequado ao desenvolvimento da criança e que qualquer desvio da norma coloca-a numa situação de desvantagem. Por exemplo, a ausência da figura do pai (como acontece na maioria das famílias monoparentais) tem sido relacionada com distúrbios no desenvolvimento da identidade sexual das crianças; paradoxalmente, talvez, diz-se o mesmo dos casos em que o pai troca de papel com a mãe e se torna no prestador dos cuidados básicos dos filhos – um formato familiar que muitos dizem poder confundir as crianças acerca da masculinidade e da feminilidade. Da mesma forma, ainda existe alguma preocupação acerca do efeito da ausência diária da mãe, a trabalhar fora de casa, sobre a segurança e a integração da criança.

  Contudo as investigações científicas sobre as famílias "não tradicionais" são unânimes num aspecto: não há qualquer indício de que sejam necessariamente prejudiciais para as crianças e que a "norma" não deve ser considerada como uma condição sine qua non para o bom desenvolvimento e para uma personalidade psicologicamente saudável.

  Alguns dos problemas associados com as famílias não tradicionais derivam das dificuldades que enfrentam, tais como os problemas económicos que são vivenciados por grande parte das famílias monoparentais, ou a deficiente qualidade dos prestadores de cuidados às crianças que se verifica entre os filhos cujas mães estão empregadas. Mas estes são efeitos secundários e não se relacionam directamente com estes tipos de família.
  De facto, a natureza das relações interpessoais da criança é o factor que influencia o curso do desenvolvimento psicológico desta, mais do que a estrutura familiar em que se insere.

  Famílias aparentemente intactas e de acordo com todos os "requisitos" convencionais, podem ser, na prática, tão conflituosas que se tornam totalmente destrutivas do bem-estar da criança; o divórcio nestas situações pode ser a única alternativa para aliviar esta situação. Uma mãe que se circunscreve às actividades domésticas pode sentir-se tão deprimida e frustrada que a sua relação com a criança é afectada adversamente; ter um trabalho fora de casa e providenciar um bom substituto para a prestação dos cuidados básicos dos filhos pode melhorar substancialmente a vida em comum. Pais sozinhos que vivem isoladamente o dia-a-dia dos seus lares podem sentir-se sós e subjugados a uma existência muito limitativa, com todas as consequências adversas que esses sentimentos têm no seu relacionamento com os filhos; juntar-se a uma comunidade ou grupo onde podem partilhar a responsabilidade do trabalho doméstico e dos cuidados às crianças pode ser, nalguns casos, gratificante e contribuir positivamente para uma melhoria do seu estado psíquico.

  Em qualquer dos casos, o que é importante é a qualidade das relações interpessoais, e estas acontecem em qualquer tipo de família. As acções tendentes a prevenir, preservar ou melhorar o bom desenvolvimento psicológico das crianças devem ter como objectivo principal a natureza e a essência das relações das crianças com os progenitores e com os prestadores dos cuidados primários, tendo em conta que o tipo de família – "tradicional" ou outro – é um factor meramente secundário.

  A família não é uma estrutura fechada. Sistemas estáticos comportam-se sempre de uma forma imprevisível e respondem mal a acontecimentos exteriores. No entanto, através dos séculos, a Família tem-se adaptado às novas realidades, a todos os tipos de mudanças sociais, económicas e tecnológicas. Ainda que, segundo os mais recentes estudos e inquéritos de opinião a família estável permaneça como modelo dominante na sociedade ocidental, o perigo de se ficar agarrado a um estereótipo específico da família, que é considerado como sendo a norma desejável, tem de ser evitado, ainda mais nos dias de hoje em que as mudanças da sociedade são muito mais profundas e acontecem muito mais rapidamente do que no passado.

  Todos os Pais, e especialmente os Pais separados, têm de garantir aos seus Filhos um bom relacionamento com ambos. Só assim podem permitir um desenvolvimento sadio e equilibrado dos seus Filhos. O empenhamento de cada um dos pais na relação com os seus Filhos, mesmo após a separação ou o divórcio é, de facto, o factor determinante na construção da identidade da criança e na "criação" do seu mundo.

  Só assim os Filhos poderão amar os seus dois Pais, Para Sempre.
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