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O ecrã das crianças
01-10-2007
Kaminhos Magazine
  Análise da programação televisiva infantil

  Todos reconhecemos na televisão o seu papel de construtora pessoal e social das crianças. Ela veicula atitudes, valores e comportamentos, desenvolve nos miúdos a visão de si próprios e a percepção do mundo. Assim sendo, as programações infantis deveriam ir ao encontro dos seus interesses e necessidades, estimular-lhes a intervenção cívica, ter a criança como cidadã. Porém, será que a televisão global pensa esses interesses e necessidades? Os critérios estabelecidos pelos adultos respeitam-nos? Privilegia-se a qualidade e promove-se o espírito crítico?

  Com o título sugerido por uma criança de 8 e outra de 11 anos, o livro A Minha TV é um Mundo, da investigadora Sara Pereira, questiona e problematiza a televisão na infância, descreve a "programação para crianças na era do ecrã global", analisa os critérios e as motivações dos programas que o ecrã difunde. E é mais um contributo inestimável para a visão crítica da complexa e actual sociedade da comunicação.

  Depois de "A TV das Elites", este é mais um título da colecção Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, com a chancela da Campo das Letras.

  Este estudo de Sara Pereira espraia-se em dois capítulos e é o resultado de uma pesquisa sobre a programação televisiva para a infância na RTP1, RTP2, SIC e TVI, no período compreendido entre 1992 e 2002.

  Diz a autora que a oferta de programas para a infância alterou-se nos anos noventa devido ao fim do monopólio televisivo. Aumentaram as horas de emissão para crianças, mas esta "suposta atenção" aos mais novos nem sempre foi acompanhada pela diversidade de programas e formatos. A mesma tendência verifica-se nos ecrãs internacionais, onde, refere-se, "se encontra mais abundância do mesmo tipo de produto".

  Por outro lado, regista-se o decréscimo de produções europeias e nacionais, com as programações infantis pejadas de produções norte-americanas e japonesas, apoiadas num forte merchandising. A "invasão" de programas estrangeiros levanta as questões do economicismo sobre a criança e da difusão da identidade nacional, que a televisão deveria assumir por ser "um dos principais elos estruturantes da sociedade", por ter um "importante papel de vínculo social".

  Público infantil: refém ou exigente?

  As pesquisas de Sara Pereira mostram-nos que no final dos anos 90, com as televisões reféns das audiências, o público infantil, considerado minoritário, é enredado numa programação interessada em captar faixas etárias mais amplas. Com as crianças vistas pelos operadores como audiência, logo, como consumidoras, abria-se a porta aos interesses dos anunciantes em detrimento dos interesses do público infantil. Neste sentido, e como consequência - a que se junta a profusão de outros meios de comunicação electrónicos - poder-se-ão enquadrar as teses dos que defendem que a infância está a desaparecer, que "a televisão altera o modo como a informação flui e penetra nos lares, desafiando o controlo dos adultos e permitindo que a criança esteja presente nas interacções daqueles".

  Abordando "o peso da dimensão económica na programação para a infância", a autora, com recurso a vários estudos críticos internacionais de vários autores, explana a reflexão sobre o "consumismo" infantil como a exploração da "vulnerabilidade das crianças", a "lavagem ao cérebro", e regista vozes que defendem que "os interesses do mercado são antagónicos aos interesses e necessidades das crianças". Ao invés, refere-se, há os que defendem "que o mercado é um meio mais eficaz para satisfazer as necessidades das crianças do que o sistema tradicional do serviço público de televisão", tanto mais que, "o que é bom para as crianças é bom para os negócios", uma perspectiva que tem as crianças como um "público sofisticado e exigente, difícil de alcançar e de satisfazer".

  Numa chamada de atenção, que é também a linha de força deste livro, diz a autora:

  "Os modos como a televisão considera e aborda a infância e as crianças são importantes indicadores e reflexos dos sistemas de valores dominantes na sociedade em que se insere. É a esta luz que a televisão para crianças tem de ser estudada e compreendida."

  Referências: A Minha TV é um mundo, Sara Pereira; Editorial Campo das Letras, Porto, Agosto 2007



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