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A fada do mar

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  No alto de uma montanha coberta de florestas existiu, há muito tempo, um bonito castelo em pedra. No cimo das suas torres flutuavam alegres bandeiras, e, protegendo os seus muros, um profundo fosso cheio de crocodilos rodeava completamente o castelo.

  Ali viviam Sua Majestade Dilemo I e sua filha Rosalva.

  A rainha morrera há bastantes anos e desde então o rei tinha criado a sua filha com todo o carinho.

  Desde muito menina a princesa havia gozado justamente da fama de formosa, graças aos seus lindos cabelos louros e ao seu belo rosto, no qual brilhavam como estrelas os seus olhos cor de mel.

  A princesa crescia cada vez mais bela e com o passar dos anos transformou-se numa deliciosa jovem inteligente e bondosa.

  Parece-se com a mãe – pensava o rei ao vê-la passear pelo jardim.

  Dilemo I, que adorava a princesa, viu chegar com tristeza o dia em que ela completou dezoito anos, idade em que, segundo as exigências da corte, a filha do rei deveria contrair matrimónio.

  Por todos os recantos do reino, um arauto anunciou aos quatro ventos a notícia, e logo começaram a chegar às portas do castelo os primeiros pretendentes.

  Atraídos pela sua bondade e beleza, nobres, príncipes e alguns reis apressaram-se a visitar o palácio para oferecer à jovem os mais valiosos presentes e pedi-la em casamento.

  Quando o rei e a princesa viram ante si aquela multidão de elegantes e presumidos príncipes e reis tão orgulhosos, verificaram como seria difícil escolher um que fizesse Rosalva feliz.

  Mas aconteceu que também chegou ao castelo um garboso rapaz, alto e moreno, de grandes olhos negros e aspecto sagaz, que foi levado, como os outros, à presença do monarca e de sua filha.

  Narkin, assim se chamava o recém-chegado, tinha ouvido falar da formosa princesa e, ao vê-la, decidiu pedir-lhe a mão.

  Mas naquele instante o rei Dilemo I dizia:

  – Senhores. Minha filha será para aquele que traga a pequenina pérola que pese tanto quanto uma montanha.

  – Oh! – exclamaram em uníssono os pretendentes. Todos acreditaram que o rei queria divertir-se com eles e, zangados, saíram do salão do trono, comentando a decisão do monarca.

  – Não é possível que exista semelhante pérola – dizia um soberbo príncipe.

  – Dilemo I quis zombar de nós – comentava um nobre.

  – Acho que não, e vou em busca da pérola. Tudo é questão de sorte – respondeu Narkin.

  – Acaso pensas realmente em encontrá-la? – perguntou um príncipe janota, com ar de zombaria.

  – Pelo menos tentarei – disse Narkin.

  E deixando os indignados pretendentes discutindo acaloradamente frente às portas do palácio, Narkin afastou-se disposto a buscar a preciosa pérola.

  Pensou ir na direcção do mar, pois era ali, sem dúvida, o lugar mais indicado para uma pérola. Embora tivesse de cruzar espessos bosques e altíssimas montanhas, algumas com fama de serem encantadas e habitadas por misteriosos duendes, não se deteve.

  Caminhou durante muitas horas até que se encontrou num bonito bosque, cheio de flores, onde uma multidão de passarinhos revoava por entre as árvores, trinando alegremente.

  Naquele instante ouviu, num denso matagal próximo, um triste pipilar. Foi ver o que era e deu com uma linda avezinha, de plumas de rara beleza, presa entre os espinhos.

  – Não te movas, amiguinha – disse Narkin, aproximando-se da cativa. – Eu tirar-te-ei daí.

  Com muito cuidado pegou no pequeno pássaro e, afastando os ramos espinhosos, conseguiu tirá-lo sem que sofresse qualquer ferimento. A avezinha olhou para o seu salvador e disse-lhe:

  – Obrigado. Estava a brincar, caí ali e não conseguia sair.

  – Diz-me, passarinho – perguntou Narkin – sabes onde poderei encontrar a pequena pérola que pesa mais do que uma montanha?

  – Pois claro que sim – respondeu-lhe a ave. – Nós, os pássaros, sabemos de tudo. Não terás mais que chegar ao mar, onde verás um barco. Entra nele, mas tem muito cuidado de não dizeres uma palavra durante todo o caminho.

  – Não esquecerei – disse o jovem. – Adeus, amiguinho!

  Despediram-se, e o mancebo continuou a toda a pressa.

  Ouviu o rumor do mar e logo o avistou, de cima de um alto penhasco, no fundo do qual as ondas tranquilas se moviam lentamente até à praia.

  Agarrando-se com força às pequenas saliências, o valente jovem foi descendo devagar. Após várias horas de penoso esforço, os seus pés afundaram-se na areia. Com um grito de alegria, encontrou-se na praia.

  – Finalmente!

  Mas logo começou a procurar atentamente nas verdes águas do mar a barca de que lhe falara o passarinho, a qual não tardou a aparecer.

  Era um barquinho de nácar, com lindos adornos de coral. Dentro dele ia uma linda sereia de grande cabeleira brilhante e dourada. O seu corpo, revestido de prateada malha, lançava cintilações sob a luz do Sol e terminava numa grande cauda de peixe.

  «Que bonita é a barqueira!», pensou com assombro Narkin, mas nada disse porque não podia falar.

  A barca ficou encalhada na areia e o rapaz entrou de um salto, acomodando-se frente à formosa sereia, que o olhava sorrindo.

  – És mudo, passageiro? – perguntou ela.

  Narkin só se atreveu a fazer um movimento afirmativo com a cabeça, pondo-se a olhar com muito interesse a verde água do mar.

  A sereia prosseguiu fazendo-lhe perguntas e mais perguntas, tentando fazer falar o passageiro, mas Narkin permaneceu calado o tempo todo.

  Apareceu então, sobre as águas, o mais encantador e maravilhoso palácio que o jovem jamais vira. Como saído de um conto oriental, as altas torres douradas lançavam reflexos de fogo e os seus altos muros de mármore branco reluziam majestosamente.

  Uma escada enfeitada com muitas conchas marinhas coral subia desde as águas verdes até uma dourada porta que havia na amurada.

  Duas lindas sereias, parecidas com a barqueira, saíram da água e prenderam a barquinha para que o garboso jovem descesse.

  «Tudo parece um sonho» disse o moço para si mesmo, começando a subir a escada.

  Ao chegar frente à porta, esta abriu-se, e Narkin penetrou no castelo. Encontrou-se num luxuoso salão, primorosamente adornado.

  Uma das cortinas abriu-se para dar passagem a uma formosa mulher, vestida como uma rainha, que se aproximou de Narkin, sorrindo

  – Sou a Fada do Mar – disse.

  Mas Narkin, lembrando-se do que lhe dissera o passarinho, não respondeu, fazendo somente uma profunda e gentil reverência.

  A fada bateu palmas e apareceram encantadoras sereias, caminhando graciosamente sobre as suas prateadas caudas. Uma delas trazia sobre um almofadão de veludo uma pequenina ostra.

  Tomando-a em suas mãos, a Fada do Mar estendeu-a a Narkin, ao mesmo tempo que dizia:

  – Aqui tens a pérola, Narkin.

  – Não te responderá, rainha – disse uma das sereias. – É calado como uma ostra.

  – Foi isto o combinado – respondeu a Fada do Mar. – Já podes voltar e, então, lá, falarás quanto queiras, Narkin.

  O rapaz abriu a mão para tomar o pequeno estojo mas quando o tocou... tudo em seu redor escureceu enquanto sentia um ar frio que não sabia donde vinha.

  Quando voltou a fazer-se luz, Narkin verificou que o castelo, as sereias e o próprio mar haviam desaparecido.

  O seu amigo pássaro voou ao seu encontro e, pousando-lhe na mão, disse:

  – Estou contente porque te comportaste muito bem.

  – Foi uma aventura emocionante – respondeu o rapaz. – E tenho a pérola! Olha!

  – Bem, já podes regressar ao palácio e ganhar o teu prémio – disse a avezinha.

  – Graças a ti, amigo passarinho.

  O rapaz fez menção de partir, mas o passarinho disse-lhe:

  – Não tarda em anoitecer. Há uma gruta aqui perto. Fica e amanhã viajarás descansado.

  – De acordo.

  Acordou muito cedo e com grande apetite, e ao sair da gruta ouviu cantar alegremente os pássaros.

  – Olá, Narkin, bom dia! – saudou-o o seu amiguinho.

  – Bom dia – respondeu-lhe o jovem.

  – Preparámos alguma coisa para comeres. Vem.

  Narkin viu que as simpáticas avezinhas tinham juntado, com muito trabalho, um monte considerável de belas frutas maduras, das quais o jovem comeu até se fartar, com grande apetite.

  – E agora adeus, amigos! – disse ao terminar. – Tenho ainda um longo caminho a percorrer.

  Ao entardecer deteve-se frente às portas do palácio onde, com grande surpresa, viu que os pretendentes continuavam discutindo e comentando as condições do rei.

  – Olhem para ali! – exclamou um soberbo príncipe, pretendente da princesa. – Aí vem Narkin com qualquer coisa na mão.

  – Que tal, rapazes? – saudou o recém-chegado ao ver que o esperavam.

  – Voltaste tão depressa? – perguntou o príncipe, intrigado.

  – Enquanto vocês discutem eu calo-me e trabalho – respondeu Narkin.

  – Pois terás que apressar-te. Hoje é o último dia do prazo – replicou um tanto hostil outro jovem.

  – Espera e verás, principezinho, como a princesa será minha – disse num tom zombeteiro Narkin.

  Naquele instante um criado, de gesto solene e fisionomia severa apresenta-se, chamando com palmas a atenção dos alvoroçados pretendentes:

  – Sua Majestade Dilemo I receberá os senhores agora mesmo! – disse com voz grossa.

  Todos os pretendentes avançaram em silêncio pelos engalanados salões do palácio até ao do trono.

  Narkin viu junto ao rei a princesinha Rosalva, mais bonita que nunca, no seu traje de gala e que, ao vê-lo entrar no salão, lhe sorriu alegremente.

  Após várias cerimónias de protocolo, Sua Majestade Dilemo I declarou que iniciava a audiência para conceder a mão da princesa.

  – Alguém traz a pequena pérola que pedi? – perguntou o rei.

  Os pretendentes olharam-se uns aos outros descontentes, pois finalmente compreenderam que não era brincadeira a exigência do monarca, e que nenhum deles a tinha levado a sério para ir procurar o que pedira. Só um se havia decidido.

  Narkin, avançando alguns passos, disse respeitoso:

  – Eu trago-vos o que pedistes.

  Um murmúrio de admiração e surpresa circulou entre todos, e a princesa muito interessada sorriu para o jovem.

  O rei, levantando-se do trono, seguido de Rosalva, aproximou-se de Narkin.

  – Vejamos essa maravilha – disse um tanto intrigado.

  O rapaz entregou-lhe a ostra que lhe dera a Fada do Mar, no maravilhoso Palácio das Águas.

  O rei olhou demoradamente a concha fechada e, de repente, perguntou no meio de grande silêncio:

  – Porque não abriste a concha, mancebo? E se a pérola não se encontra aqui?

  Narkin ficou pensativo, pois realmente não sabia se dentro do pequenino estojo havia alguma coisa. Confiara na Fada do Mar.

  – Vamos, bobo! – disseram rindo alguns invejosos pretendentes.

  Mas a impaciente princesa Rosalva tomou a pequena ostra das mãos de seu pai e abriu-a decididamente. Do interior, e ante o assombro de todos, apareceu radiante de formosura a Fada do Mar, tal como Narkin a havia visto no seu palácio.

  – Oh!... – exclamaram todos em uníssono.

  Mas ainda ficaram mais surpreendidos ao ouvir a linda aparição dizendo:

  – Melhor que uma pérola é saber calar a tempo. Casai-vos com o jovem Narkin, princesa, e sereis feliz!

  – Eu gosto muito dele – disse muito contente Rosalva.

  – E eu também vos amo, princesa – respondeu Narkin em tom baixo.

  Minutos depois, o rei Dilemo I declarava solenemente que sua filha, a princesa, contrairia matrimónio com o jovem Narkin.

  Os demais pretendentes, corridos e envergonhados, saíram da sala do trono a toda a pressa, para não ver a felicidade do rapaz e da formosa Rosalva.

  – Que comecem os preparativos para as bodas! – ordenou o rei.

  Logo saíram do palácio vários arautos vestidos com os seus trajos de vivas cores e com os seus alegres clarins, lançando ao ar a boa nova. Em todos os rincões do reino se tomou conhecimento do casamento real e a notícia foi acolhida com grandes demonstrações de simpatia.

  Poucos dias antes do casamento, e numa cerimónia simples, o rei Dilemo I concedeu a Narkin, como prémio pela sua constância e valentia, o título de príncipe real.

  Um dia antes da cerimónia foram engalanados os grandes salões e durante toda a tarde começaram a chegar os convidados.

  Reis, príncipes, nobres e demais personagens da realeza encontraram-se nos magníficos salões do palácio, onde os jovens noivos Narkin e Rosalva faziam as honras. Todos eram muito felizes.

  E entre muita alegria chegou o radiante dia do casamento.

  A princesa Rosalva, com o seu elegante vestido, mais bonita que nunca, avançou para o príncipe Narkin, garboso e simpático, que trajava uma casaca de veludo com várias condecorações.

  – Vivam os noivos! – gritavam os convidados.

  – Viva o rei! – diziam outros.

  Depois do enlace, foi oferecido nos jardins um grande banquete, no qual estiveram presentes mais de mil convidados.

  Junto do rei e dos príncipes estava presente a Fada do Mar, muito linda e contente.

  – Estou muito feliz por terdes sido o vencedor – dizia a seu esposo a princesa Rosalva.

  – Eu também estou, meu genro – acrescentou, sorrindo, o monarca. – Mandei-te buscar o impossível para desafiar o teu valor.

  A Fada do Mar, com a sua voz harmoniosa, interveio na conversa:

  – Eu ajudei-o porque sabia quanto Narkin era valoroso. Soube ser caridoso, soube calar e perseverar em seu intento. Não tendes uma jóia impossível de encontrar, mas haveis encontrado um homem...

  Os festejos foram esplêndidos e duraram sete dias. Foram realizados torneios, jogos e bailes. Quando os convidados começaram a partir, os esposos empreenderam uma viagem para conhecer de perto os seus súbditos e o seu país.

  Todos foram muito felizes. E quando o rei Dilemo I teve de se retirar dos seus trabalhos por ser demasiado velho, foi o jovem Narkin quem ocupou o seu lugar, governando durante muitos anos com prudência e equidade.

  Os outros pretendentes da princesa Rosalva lembrarão sempre o que o rei na verdade lhes pedira quando os mandara buscar o impossível.

  Queria que demonstrassem o seu valor.

  E nada mais, queridos amiguinhos...

  Demonstrar o que se é capaz de fazer vale mais que um tesouro.

Colecção Heidi
O Rei Midas
Livraria Bertrand
Texto adaptado
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