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Alergias e Intolerâncias Alimentares
Setembro, 2009
Dra. Solange Burri - Consultora em Alimentação
Projecto babySol® - Segurança Alimentar e Nutrição Infantil


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  A alimentação infantil, sobretudo nas idades mais precoces, é sempre uma tarefa difícil. Mas quando a criança sofre de alergias ou qualquer outro tipo de intolerância alimentar, o processo torna-se, em simultâneo, complexo, extremamente desgastante e altamente responsável. A vida da criança pode estar em causa, em cada produto, em cada colher, e nas quantidades mais baixas, pois há riscos. Sérios riscos.

  Ainda a agravar a este facto surge a escassa oferta em Portugal para indivíduos com alergias: faltam ideias e produtos também. E preços acessíveis que permitam suportar o orçamento doméstico e tornar exequível a alimentação especial. O resultado não poderia ser pior: uma alimentação monótona e pouco prática que cansa a criança e a impede de um crescente desenvolvimento palativo, mas também que a pressiona por factores psicossociais como a ansiedade da família e a difícil integração na sociedade, aspectos que se enraizam a médio prazo e desgastam sobretudo o convívio social. Portanto, os critérios alimentares extinguem-se muito antes de seres implementados e são necessárias medidas que apoiem esta Alimentação...urgentemente!

  Há 3 aspectos fundamentais, logo à partida, a ter em consideração quando se pretende avaliar o modo como as crianças alérgicas devem ser apoiadas:

  - O tipo de inadaptabilidade alimentar: alergia ou intolerância? E este aspecto é vital pois as alergias são extremamente meticulosas e cuja hipersensibilidade pode ser na ordem de pequeníssimas quantidades de alimento. A intolerância é mais permeável e não exige um controlo tão rigoroso na análise do rótulo alimentar. Portanto, cuidado na adopção de conselhos de amigos, e familiares, pois nem sempre se enquadram no quadro clínico que a sua criança apresenta;

  - Outro aspecto fatídico, é o alimento alvo que oferece perigo à criança, sabendo-se também que uma criança susceptível a determinado alimento poderá ser, na maior parte dos casos, vulnerável a outros alimentos com carácter alérgeno (ex. soja, ovo, peixe, amendoim...). Este aspecto adquire uma dimensão básica quando nos apercebemos que alguns destes ingredientes, ainda que em pequenas quantidades, são utilizados como adjuvantes tecnológicos apenas para melhorar a textura de produtos alimentares processados. O resultado: aumento da restrição dos alimentos a introduzir na dieta infantil...

  - Por último, e de pertinência acentuada, é a idade da criança, sobretudo porque é preciso respeitar (também!) as suas exigentes especificidades nutricionais face a todas as limitações impostas pelo médico e ... que o mercado disponibiliza!

  Portanto, retratado estes cruciais aspectos é pois altura de esquematizar o que, efectivamente, é possível fazer:

  Alergias alimentares

  Leite de vaca
  Se representa o alimento a evitar, e estando o bebé já desmamado, substitua-o por leites de origem vegetal: de soja, de aveia, de amêndoa. Saiba contudo que a soja é também um alimento alérgeno e inadequado para crianças com idade inferior a 12 meses, pela sua difícil digestibilidade e interacção com o sistema hormonal. Além disso não deve ser dado de forma contínua, razões pelas quais o consumo infantil deste alimento, nas suas diferentes formas de apresentação, deve ser bem avaliado. É pois importante que adquira papas sem leite na sua composição e as prepare com estes leites, de origem vegetal. Deve igualmente ter em atenção a proibição de iogurtes, bolachas e pão, que contenham leite, ou vestígios deste (soro, manteiga) na sua constituição. Existe alguma variedade de bolachas biológicas que pode adquirir e de pão também. Os iogurtes, no geral, estão todos desaconselhados pelo que considero interessante o consumo de kefir, elaborado a partir de um leite vegetal.... A única gordura permitida para cozinhar é o azeite, excepcional pelas suas propriedades nutricionais.

  A alimentação infantil, neste caso, fica sufocadamente restrita. A resolução passa, sobretudo, pela adopção de uma dieta o mais natural possível, à base de fruta, cereais e outras fontes de proteína animal, como a carne e o ovo, de acordo com as recomendações do pediatra ou alergologista... Por outro lado, é necessário impedir, a todo o custo, a privação da ingestão de cálcio, exigente nas idades mais precoces e comum em crianças com alergia à Proteína do Leite de Vaca (PLV). É pois importante complementar a alimentação com legumes verdes como os bróculos, espinafres e agriões, também ricos neste mineral.

  Ovo
  Existente em grande parte nos alimentos processados, é mais fácil de o detectar, e evitar. A má notícia é que este tipo de alergia, na maior parte dos casos, veio para ficar...ao contrário das restantes. De evitar sobretudo os alimentos processados, como por exemplo bolachas, croissants e outros alimentos processados! Nas Festas, forneça uma simpática lista dos alimentos a evitar a quem convidar a criança... Afinal numa idade mais avançada a criança está sensibilizada, e deve, integrar-se socialmente. É importante.

  Intolerâncias alimentares

  Lactose
 Presente nos produtos lácteos, de facto a fermentação anula o seu efeito, já que as bactérias fermentativas transformam este açúcar natural em ácido láctico, aceite pelo organismo da pessoa intolerante. Mas, na verdade, este facto não pode ser assumido como efectivo pois pode acontecer o seguinte: a) os industriais interrompem a fermentação, antes de terminar, garantindo assim menor acidez no iogurte mas permitindo vestígios residuais de lactose; b) para tornar os iogurtes mais doces, de uma forma mascaradamente saudável, adicionam lactose como substituinte do açúcar convencional. Deste modo, é pois inseguro recorrer aos iogurtes à base de leite de vaca, devendo ser substituídos pelos análogos à base de soja, mas alternando sempre, com outros alimentos como a fruta. Favoravelmente, poderá recorrer aos leites comerciais 0% lactose que, apesar de dispendiosos, são alternativas interessantes com que poderá cozinhar também.

  Glúten
  Este ingrediente, dentro das intolerâncias alimentares, e portanto de menor impacto, representa contudo um verdadeiro obstáculo. Mais uma vez, e tal como o leite de vaca e o ovo, porque representa um alimento que contribui para ajustar a textura de imensos alimentos processados. De evitar, a todo o custo, o trigo, o centeio e na dúvida, a aveia. Recorra unicamente aos alimentos que contenham milho na sua composição. E claro está, mais uma vez, cuidado com as bolachas e o pão. Será favorável considerar a possibilidade de fazer em casa, pão e bolachas, a partir de farinhas próprias. Alguns produtos rotulados sem glúten oferecem pouca confiança pois a substituição tecnológica deste componente veicula outros ingredientes, sobretudo aditivos, pouco interessantes e também de efeito negativo no organismo infantil. A boa notícia é que este tipo de intolerância desaparece nos primeiros anos de vida, na maior parte dos casos...

  Por último, considera-se fundamental evitar transmitir à criança alérgica situações, ainda que justificadas, de ansiedade. Se possível, a família deve interiorizar a necessidade de todo o seio familiar, sobretudo quando a criança já está mais crescida, deve também evitar os alimentos processados proibidos na sua alimentação para evitar um maior constrangimento infantil.

  BabySol® informa que, estas recomendações têm apenas carácter informativo não substituindo nunca as visita periódicas ao pediatra que, em todos os casos - alergias/intolerâncias ou não - são extremamente importantes.

Projecto babySol® - Segurança Alimentar e Nutrição Infantil
www.solangeburri.blogspot.com

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