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Como as crianças vão escrevendo cada vez menos à mão
24-09-2011
Sol/Lusa
  Os teclados estão a afastar a caneta e o papel das escolas nos EUA, onde cada vez mais crianças deixam de aprender a escrever à mão com o argumento de que caligrafia é perda de tempo. Em Portugal prevalece o texto manuscrito, mesmo com os computadores Magalhães.

Em sentido contrário ao das autoridades educativas norte-americanas, professores e cientistas evidenciam o papel que aprender a escrever à mão tem no desenvolvimento das capacidades motoras e da linguagem.

Illinois, Indiana e Hawaii são os três estados norte-americanos cujos departamentos de Educação já assumiram que nas suas escolas já não é obrigatório ensinar a letra cursiva.

Limitaram-se a aplicar as directivas do Common Core Standards, um documento adoptado por 46 dos estados norte-americanos que visa uniformizar os programas e métodos lectivos e em que a caligrafia deixou de ser mencionada.

O Common Core pretende que os programas escolares se concentrem no que é "relevante no mundo real, reflectindo o conhecimento e as aptidões de que os jovens americanos precisam para ter sucesso na universidade e nas suas carreiras".

Num memorando dirigido a todas as escolas, a autoridade estadual de Educação do Indiana indica que neste ano lectivo "as escolas podem decidir continuar a ensinar escrita cursiva como norma local, ou podem decidir deixar de a ensinar, para centrar o currículo em áreas mais importantes".

Em vez de aprender a "desenhar" a letra, os alunos podem aprender a escrever à mão, mas em letra de forma, como as letras que aprendem a 'teclar' nos computadores: "Espera-se que os alunos se tornem competentes a escrever num teclado", refere o memorando.

A presidente da Associação de Professores de Português, Edviges Ferreira, disse que em Portugal "prevalece o texto manuscrito", mesmo com a introdução dos computadores Magalhães nas escolas.

"O Magalhães não substitui a escrita manual, existe para os alunos fazerem pesquisas", indicou.

Edviges Ferreira indicou que é importante que os alunos escrevam "de maneira independente, personalizada" e que o texto manuscrito é a maneira de "manterem a sua identidade".

No entanto, reconhece que "com um horário sobrecarregado" a tendência dos professores é cada vez mais para se concentrarem "nas competências de escrita e compreensão" e não há tempo nem necessidade de "uma caligrafia perfeita".

"Tem que ser legível, mas o mais importante é que os textos tenham boa estrutura e ligação", indicou.

Nos Estados Unidos da América (EUA), o debate polariza muitas opiniões, desde os que concordam que com os programas tão cheios não é importante gastar tempo a ensinar caligrafia, até aos que lamentam a perda da "personalidade" da escrita e salientam mesmo que aprender a escrever em cursiva faz bem ao cérebro.

Por exemplo, os benefícios da escrita cursiva são reconhecidos pela Associação Britânica de Dislexia, que salienta que ao escrever cada palavra sem tirar a caneta do papel este "movimento fluido" melhora a velocidade de escrita e o conhecimento da ortografia.

No caso específico das crianças disléxicas, estas conseguem criar uma melhor "memória física" das letras porque as escrevem num movimento único e fazem uma distinção clara entre as letras maiúsculas e minúsculas, refere a associação.

Um estudo publicado na revista Science em 2009 evidenciava que a escrita cursiva muda as ligações neuronais do próprio cérebro, tornando as crianças mais fluentes e ajudando na solidificação da aprendizagem.

Mas uma responsável pelo sistema público de ensino do Colorado, citada por um jornal de Denver, indicou que "nas escolas americanas a tendência é para ter mais tecnologia", destacando que quanto menos os alunos se tiverem que preocupar com a forma mais tempo terão para o conteúdo.

Veiga Simão, ex-ministro da Educação e responsável por algumas das principais reformas no sector nos anos 70, disse à Agência Lusa que não é avesso a experiências, mas que antes de experimentar qualquer coisa é preciso perguntar antes "porquê" e avaliar. "O que muitas vezes não sabemos fazer em Portugal", realçou.

Por António Pereira Neves.


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