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Ainda nascem crianças seropositivas em Portugal
01-12-2010
DN
  A transmissão do VIH de mãe para filho caiu a pique em 15 anos. Em 1995, era de 20% e no ano passado de apenas 2,5%.

"Eu tenho um dragão dentro de mim, que mato com a comida, com a água e a dormir. Precisamos de muita coragem. Temos de comer muito. Eu como quatro pratos antes de dormir. Um dos dragões que tenho é branco, preto e vermelho. Os outros são coloridos. Não me chateio de ter o meu dragão", explica Sara (nome fictício), de 11 anos. O dragão já tem um nome, embora Sara nunca o diga. Chama-se VIH e é o bichinho da sida.

A menina é uma das mais de 200 crianças em Portugal que foram infectadas através da mãe, durante a gravidez, parto ou aleitamento. No ano passado, o Grupo de Trabalho sobre Infecção por VIH na Criança detectou seis casos de transmissão vertical, o que corresponde a 2,5% da totalidade dos partos de mulheres infectadas. Em 1995 o número estava nos 20%. Mas o ideal será chegar a 1%. No País há entre 35 mil e 40 mil pessoas a viver com o vírus.

"Portugal é um dos países onde o rastreio nas grávidas se faz com maior abrangência. Muito poucas mulheres escapam ao filtro", explica Teresa Branco, infecciologista do hospital Amadora-Sintra, referindo-se à queda acentuada de casos de transmissão vertical.

O ano de 1995 foi chave para esta mudança. Criaram-se as linhas orientadoras para o tratamento nas grávidas, a opção pela cesariana selectiva e a medicação combinada. Mas ainda se pode fazer mais. "Os nossos maiores problemas são a gravidez não vigiada e a imigração, sobretudo mulheres que vêm de África sem acompanhamento ou tratamento", diz ao DN Cristina Guerreiro, obstetra na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa. Também "há casos de transmissão em que a gravidez foi seguida e que têm de ser melhor estudados", conta.

É preciso "assegurar que todas as mulheres são seguidas e a gravidez planeada para reduzir ainda mais o risco", defende Teresa Branco. Há ainda o facto de muitas desconhecerem estar infectadas. "Quando as relações se tornam estáveis, abandonam o uso preservativo sem fazerem o teste", relata.

Sara não se lembra da primeira vez que ouviu falar do dragão e confessa que já não faz perguntas há algum tempo sobre o assunto. "Acho que a minha mãe espreitou para dentro de mim e viu como é o meu dragão. Perguntei-lhe se o podia matar, se ele era gigante e se podia fazer tudo o que quisesse."

Conversadora, animada, sempre a saltitar na cadeira, já sabe o que quer ser quando for grande. "Veterinária ou bombeira... Não, veterinária. É isso que vou ser!", conta, decidida. Gosta de brincar, ver televisão e está na fase em que acha que nunca vai gostar de rapazes. "A minha avó diz que só aos 18 anos e eu ainda só tenho 11!"

Sabe que tem de ter cuidados extra e que por causa do dragão tem de tomar "quatro comprimidos de manhã e quatro à noite". "Se cair na escola vou ter com uma das auxiliares e fico como nova. É importante para as pessoas que têm dragões e doenças como eu. Há algumas pessoas que não têm doenças e que são más. Chateiam e gozam com os outros", conta.

Sara sabe que não pode falar do dragão a ninguém. É a forma que a mãe encontrou de a proteger da discriminação. "É aconselhado aos pais que escolham uma pessoa a quem dizer e que possa agir quando necessário. Temos muitos problemas porque a discriminação começa nos professores e auxiliares", explica Filipa Farrajota, psicóloga na Abraço.

A história do dragão foi a forma como encontraram de ajudar os mais novos a lidar com a doença. "É muito importante falar e trabalhar com eles desde crianças. Os que não são trabalhados nessa fase, que descobrem a doença na adolescência entram em negação completa", explica.


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