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O pato e a coruja

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  Era uma vez uma bétula que se erguia no meio de um prado.

   Mesmo à beirinha do prado cintilava um charco onde um pato nadava em círculo, mergulhando o bico de vez em quando.

   O pato subiu para terra, sacudiu-se e olhou para o cimo da árvore.

   Após ter olhado algum tempo, gritou:

   — Eh, tu, aí em cima!

   — Uhm — resmungou uma voz lá em cima, na bétula.

   — És uma coruja a sério? — pergunta o pato.

   — Uhm.

   — Ora chega cá abaixo — gritou o pato.

   — Uhm — resmungou a coruja a bocejar. E esvoaçou para o chão.

   — Oh! — disse o pato. — Nunca pensei que uma coruja tivesse asas tão bonitas.

   — Uhm — tornou a coruja, contente por o pato achar bonitas as suas asas.

   — Porque é que estás sempre a dizer Uhm? Não sabes dizer mais nada?

   — Claro que sei — disse a coruja — mas não me apetece. Estava a dormir.

   — Oh, meu Deus! — exclamou o pato. — Como é que tu consegues dormir em pleno dia? Ninguém consegue!

   — Não percebo o que queres dizer — respondeu a coruja. — Durmo sempre de dia.

   — Isso é esquisito — disse o pato. — De noite é que se dorme.

   — Dormir de noite, dizes tu? De forma alguma! A noite é demasiado excitante para ser gasta a dormir. É quando está escuro, é quando se arregalam bem os olhos, e se espera que passe alguma coisa que se possa comer.

   — Não estás boa da cabeça! — disse o pato. — A comida não passa. Tem de se nadar, mergulhar e procurar até encontrar.

   — Que forma mais disparatada de comer! — murmurou a coruja.

   O pato zangou-se.

   — Não é nada disparatada, é o normal! — disse, furioso.

   — Não estás bom da cabeça! — respondeu a coruja. — Normal é pairar às escuras no bosque sem fazer barulho. E, então, quando algum animalzinho se mexer nas folhas secas, caímos-lhe em cima rapidamente e comemo-lo.

   — Que horror! — gritou o pato. — Só de pensar nisso fico logo enjoado.

   — E tu, o que é que comes? — berrou a coruja, que também estava zangada. — Comes alpista para patos. Que nojo! Até fico enjoada! E como é que se consegue comer durante o dia!

   O pato até assobiou de raiva.

   — Fica a saber que é de dia que se come! Todos fazem isso!

   — Ora, ninguém faz isso! — gritou a coruja. — Quando fica escuro é que se tem fome a sério.

   — Isso é uma estupidez! — grasnou o pato — Estupidez, estupidez, estupidez!!

   E ali estavam os dois no meio do prado a discutir.

   A coruja abriu e fechou o bico um par de vezes como se estivesse a pensar, e depois sacudiu-se.

   — Ó pato — perguntou a coruja — afinal porque é estamos a discutir? Ainda te lembras porque é que começámos?

   — Claro — responde o pato. — Porque tu fazes tudo mal. É por isso…

   — Não é verdade — disse a coruja. — Eu não faço nada errado. Faço é de maneira diferente, e, assim, também dá. Faço como fazem todas as corujas.

   — E eu faço como fazem todos os patos. Tens razão. Não é preciso discutir por causa disso.

   "Ah", pensava a coruja para si, "por sinal, até gosto do pato. Tem uma maneira esquisita de ver as coisas, mas será que, apesar disso, não podemos ser amigos?…"

   — Mas que pés esquisitos tu tens! — observou a coruja.

   — Não são esquisitos — responde o pato — são práticos. São para nadar.

   — Para nadar, talvez sejam bons — opinou a coruja. — Quando se gosta de nadar. E, vendo melhor, até os acho bonitos.

   — A sério? — sussurrou o pato.

   — Anda comigo — disse a coruja de seguida— já me doem as pernas de estar aqui em baixo. Vamos pôr-nos confortáveis, em cima da bétula.

   — O quê? — perguntou o pato.

   — Vamos voar lá para cima — responde a coruja. — Em cima das árvores está-se melhor.

   O pato nunca na vida tinha pousado numa árvore, mas se isso dava alegria à coruja, quis experimentar.

   — Como queiras — respondeu.

   E voaram os dois lá para cima; instalaram-se num ramo de onde podiam ver tudo em redor.

   — Aqui tem-se melhores vistas — disse a coruja satisfeita.

   — Bem… — murmurou o pato.

   Olhava para o prado e para o charco onde o sol reluzia. Não gostou mesmo nada de pousar tão alto em cima de uma árvore. Esteve o tempo todo com medo de cair.

   — Isto aqui não é bom — disse ele para a coruja. — Vamos antes nadar para o lago.

   — Deves ter ficado maluco, de certeza! — gritou a coruja.

   — Para a água? Mas tu queres matar-me?

   — Não te exaltes! — disse o pato. — Se queres, sentamo-nos então outra vez na erva. Vocês, corujas, são demasiado estúpidas para nadarem.

   — E vocês, patos, são tão estúpidos que nem sabem pousar numa árvore!

   — Oh, meu Deus — disse o pato. — Lá estamos nós a discutir outra vez.

   — É porque tu começas sempre — retorquiu a coruja.

   — Isso não é verdade — berrou o pato, furioso. — Não fui eu, tu é que começaste!

   — Não, foste tu! — gritou a coruja.

   — Ei, porque é que estás a gritar assim? — disse o pato.

   — Eu não estou a gritar, tu é que estás! — disse a coruja.

   — Não, tu é que estás!

   — Oh, meu Deus! — disse a coruja. — Basta! Porque é que só sabemos discutir um com o outro?

   — Porque tu fazes tudo errado.

   — Eu não! — disse a coruja. — Tu é que fazes!

   — Não, tu é que fazes! — disse o pato.

   — Mas isso não tem importância. — disse a coruja. — Não é preciso discutir por uma coisa dessas.

   O pato pensou melhor e disse:

   — Também acho, não é preciso discutir por isso. Mas, olha, quem é que começa sempre?

   — Eu acho que és tu.

   — Não deves estar boa da cabeça — disse o pato. — Tu é que começas sempre!

   — Uhm — disse a coruja — às vezes começo eu e tu imitas-me em seguida.

   — Eu? — gritou o pato e bateu as asas com força.

   — Não faças tanto vento — disse a coruja. — Queres que eu caia daqui a baixo?

   — Pronto, está bem — diz o pato. — Mas se queres que sejamos

   amigos, tens de acabar com a discussão.

   — Pára tu! — disse a coruja.

   Então o pato começou a rir e disse:

   — Basta! Além disso, estou a ficar com fome. E a fome deixa-me impaciente. Vou mas é procurar alguma coisa para comer.

   — E eu estou cansada. E sempre que fico cansada, fico zangada. Agora vou mas é dormir.

   O pato voou para baixo. Aterrou no lago, voltou-se, olhou para cima e gritou:

   — Então adeus, coruja. Dorme bem.

   — Uhm — respondeu a coruja, sonolenta. — Dorme tu também, pato.

   Já tinha os olhos quase a fecharem-se.

   — Ah, é verdade — disse de seguida — tu não dormes. Só dormes quando fizer escuro. Bom dia para ti, pato. E até à próxima!

Hanna Johansen
Die Ente und die Eule
Zürich, Nagel & Kimche, 1988
Adaptado
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