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Acabou-se a televisão

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  Como qualquer família, os Silva tinham uma televisão. E todos gostavam de ver televisão.

   A D. Esmeralda adorava as telenovelas mas, sobretudo, as aulas de aeróbica. O Sr. Silva preferia as corridas de motas e nunca perdia a aula de culinária. Os filhos então gostavam de tudo e nunca perdiam nada! Passavam o tempo todo diante da televisão. Viam quando regressavam da escola, à noite, depois do jantar e, durante o fim-de-semana, passavam o tempo diante dela, não se cansando de saltar de um canal para outro. Não faziam os deveres, não iam brincar lá para fora. E, sempre por causa da televisão, nunca ajudavam em casa.

   O Sr. Silva e a D. Esmeralda não gostavam nada daquilo.

   Um dia, o Sr. Silva fartou-se. Desligou a televisão, levou-a para o andar de cima e guardou-a num armário.

   — Daqui em diante, vocês só vão ver televisão aos fins-de-semana — disse ele.

   Os filhos ficaram muito zangados.

   Mas, na terça-feira, o Sr. Silva teve de levar o aparelho para o quarto, para a mulher fazer ginástica. Na quarta-feira, voltou a tirar a televisão do armário por causa do programa de culinária. Na quinta-feira, Carlota teve de ver um documentário muito importante para a aula de História. E na sexta-feira, ia dar a segunda parte de Os Conquistadores. Ninguém podia perder um programa daqueles…

   O pior é que a televisão era muito pesada para o Sr. Silva! Uma vez tropeçou, caiu nos degraus da escada e quase que partia a cabeça. Estava farto de carregar com o aparelho para cima e para baixo, e acabou por colocá-lo no lugar. Os filhos voltaram imediatamente aos velhos hábitos. Os Silva estavam desesperados!

   Um dia, o Sr. Silva foi à cidade, passou diante de uma loja de coisas usadas onde viu uma televisão à venda e sorriu. Tinha tido uma ideia! À tarde, quando as crianças regressaram da escola, a televisão tinha desaparecido.

   — Não vai haver mais televisão nesta casa — declarou o Sr. Silva.

   Os filhos subiram as escadas a correr mas já não estava nenhuma televisão no armário… Nem queriam acreditar!

   — Diz lá, pai, onde é que a escondeste? — insistiram eles.

   No dia seguinte, a caminho da escola, as crianças descobriram por elas mesmas. Viram a sua querida televisão na montra da loja. Não podiam acreditar nos seus olhos! A D. Esmeralda também ficou surpreendida, mas depressa compreendeu que aquilo só lhes fazia bem.

   Na semana seguinte, os Silva tudo fizeram para que os filhos esquecessem a televisão!

   O Sr. Silva trouxe da biblioteca imensos livros interessantes para o Nicolau. A D. Esmeralda comprou o material necessário para fazer um coelho para a colecção de bonecos de pelúcia do Alexandre, e ajudou a Carlota na lição de piano.

   Na quinta-feira, o Sr. Silva foi às compras com os rapazes e prepararam um jantar surpreendente! Na sexta-feira, a D. Esmeralda encontrou uns jogos no fundo de um gavetão.

   No sábado, a televisão já não estava na loja. Fora vendida. As crianças ficaram muito tristes e abatidas.

   — Então! Coragem, não é o fim do mundo! — disse o Sr. Silva.

   E, naquele mesmo dia, arranjaram madeira, cordas e utensílios. No dia seguinte, puseram-se a construir uma cabana no jardim. Pouco a pouco, todos começaram a esquecer a televisão.

   E as crianças tê-la-iam esquecido por completo se um acontecimento extraordinário não tivesse surgido… Estavam a brincar aos disfarces: tinham encontrado montes de roupa velha no sótão quando, de repente… milagre! Lá estava ela! Era mesmo a televisão deles!

   — Paiiiii! — gritaram em coro.

   Tinha chegado o momento do Sr. Silva se explicar. Teve de confessar tudo. Nunca tinha chegado a levar o aparelho para a loja mas, quando vira o mesmo modelo na montra, veio-lhe à cabeça nada dizer e deixá-los acreditar que era a deles… E então resolveu esconder a verdadeira no sótão.

   Estavam todos admirados…

   — Então isso quer dizer que podíamos ter visto Os Conquistadores? — perguntou a D. Esmeralda.

   — Bem, vai voltar a dar, se têm assim tanto interesse… — respondeu o Sr. Silva.

   — Oh, pai, claro! — gritaram os filhos.

   O Sr. Silva acabou por trazer para baixo a televisão...

   Mas nada voltou a ser como dantes porque… naquela semana...

   O Nicolau acabou de ler os livros da biblioteca e arrumou o quarto…

   A Carlota ficou milionária numa tarde… e o Alexandre construiu uma casa para os seus bonecos…

   Prepararam todos juntos um delicioso bolo de anos para o Sr. Silva…

   Organizaram um concerto para a mãe…

   E, para coroar, acabaram a cabana, fizeram uma festa e convidaram os amigos todos.

   Divertiram-se imenso… e nada continuou como dantes!!

Philippe Dupasquier
Fini la télévision !
Paris, Gallimard Jeunesse, 2004
(Tradução e adaptação)
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