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Um buraco na asa (1ª parte)

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  — Pai, pai, porque é que aquele anjo tem um buraco na asa?

   O pequeno Carlos puxava pela manga do seu cansado pai, que tentava entrar na capela das missas ordinárias, as que não se celebram nos dias festivos, por detrás do altar-mor da catedral de Milão. Luís estava demasiado cansado para prestar atenção ao filho… por isso, este voltou a perguntar:

   — Sim, pai, aquele anjo ali — o menino apontava com o dedo indicador a imagem que se encontrava ao lado do sacrário — o que está ao lado de Jesus!

   — Agora temos de entrar, a missa vai começar — disse Luís. — Mas se te portares bem e estiveres com atenção, conto-te depois a história do anjo com o buraco na asa.

   No entanto, Luís dizia de si para si: "Eu e as minhas promessas! O que lhe hei-de contar?"

   Tinha sido um dia de trabalho muito duro e, como chegava sempre tarde a casa, decidira sair do emprego antes da hora, para levar o pequenito à missa. Faltavam alguns dias para o Natal e queria passar com ele um pouco mais de tempo, fazer-lhe sentir no coração o verdadeiro Natal. Por isso, além de passear pelas ruas do centro da cidade, cheias de luzes e de montras deslumbrantes, decidira entrar na igreja com o filho.

   A homilia do sacerdote não era particularmente interessante e o cansaço de Luís fazia-se notar…

   *******

   No descampado junto de um bosque de oliveiras, encontrava-se uma pequena legião de anjos, doze para ser mais exacto. O céu nublado prometia neve; uma aragem fria e cortante agitava os ramos das árvores. As nuvens abriam uma pequena clareira, de onde brotava uma poalha de minúsculas estrelas, que fazia resplandecer os cabelos dos seres angélicos ali reunidos. Todos de pé e bem alinhados em filas de quatro, escutavam, atentos, o discurso do seu capitão:

   — Lembrai-vos da nossa importante missão! Esta noite, acompanharemos o pequeno Rei na sua fuga para o Egipto. Faz pouco tempo que veio ao mundo, mas já há quem queira matá-lo. Avisámos José e os reis do Oriente. Cabe-nos agora agir. Mas atenção: não devemos interferir nos assuntos dos homens. Seremos invisíveis aos seus olhos! Apenas nos empenharemos em proteger o nosso Rei e em o manter, durante algum tempo, oculto. Se nós o escondermos, Ele e a sua família passarão despercebidos. Mas recordai bem a ordem que deu Miguel, o nosso General: "Não interfirais!"

   O olhar do capitão parecia dirigir-se ao último anjo da direita, na última fila. Olhou-o fixamente por um instante e, de seguida, todos se puseram a caminho.

   Joaquim, o último anjo do grupo, tinha passado os dias anteriores dando livre uso aos seus pensamentos. O Verbo Divino havia nascido como um menino, e encontrava-se agora envolto em panos sobre a palha de uma manjedoira. Nascera pobre, numa gruta, sem honras nem festa. Só os seus amigos do primeiro coro angélico, os anjos da glória, tinham podido entoar em seu louvor. Tão grande mistério! Joaquim estivera ali de guarda, na primeira noite, e fora esse o seu primeiro contacto com os humanos.

   Que pobres eram os pastores que tinham ido adorar o pequeno Rei! Entre eles também se encontrava um rapazinho. Nos seus olhos enormes, Joaquim tinha podido ler a admiração e também a pobreza, mas sobretudo uma imensa esperança. Além disso, começava a saber algo mais a respeito do pequeno Rei e do seu misterioso nascimento. Teria desejado saber mais, ser até um daqueles pastores, para compreender porque teria o seu Rei querido fazer-se pequeno como eles, pequeno como um dos seus pequenos.

   Enquanto avançava, sentia-se tão perdido nos seus pensamentos que não se havia dado conta de que a legião angélica já rodeava o Rei, e que a família retomara, lenta e pacientemente, o seu caminho. Não teriam percorrido uma grande distância quando, ao longe, se ouviu um grande estrondo.

   Os soldados! — exclamou José. — Dirigem-se para a povoação.

   E prosseguiu a marcha, puxando o burro com veemência e começando a andar cada vez mais rapidamente.

   — Temos de nos apressar — disse.

   Enquanto todos corriam, Joaquim ouvia gritos ao longe. Eram gritos de dor e de aflição e, no meio deles, reconhecia o pranto de crianças. Sabia-o porque, no dia anterior, o seu pequeno Rei também tinha chorado, mas quando a mãe o tomara nos braços, aquietara-se. Reconhecia esse pranto, mas agora parecia-lhe diferente, mais agudo e atormentado do que o do seu senhor. E subitamente compreendeu: os soldados procuravam o Rei, mas não sabiam quem era e, por isso, matavam todos os meninos!

   De repente teve um sobressalto. Sentia uma sombra que o fazia baixar e obscurecia a pureza da sua luz angelical. Algo captou a sua atenção. Poderia parecer estranho, mas de entre todos esses gritos, um parecia-lhe mais próximo, ou melhor, não se tratava de um único grito, mas… de dois gritos distintos! Um grito de adulto e o pranto de um menino. Olhou para trás. Longe, no caminho acabado de percorrer, avistou uma mulher com algo nos braços. A mulher gritava, mas mostrava-se muito fatigada. Parecia que caminhava em direcção a eles. Sim, era isso, aquela mulher estava precisamente a buscar o seu auxílio.

   No pequeno pelotão que se movia apressadamente ninguém parecia ter-se apercebido de nada. Os seus companheiros apenas tinham em mente a sua missão. Maria e José estavam preocupados com o Menino e prosseguiam na sua fuga… Não seria melhor detê-los e pedir licença ao capitão para ajudar aquela mulher que corria com o filho nos braços? De modo algum. Tinham de continuar a fugir. E, além disso, o capitão lembrara-lhes as ordens dadas: havia que esconder o pequeno Rei e não interferir nos assuntos dos humanos. E ordens que são assim lembradas, são ordens que não se podem transgredir.

CONTINUA...

Antonio Anastasio
Un agujero en el ala
Madrid, Ediciones Encuentro, 2008
(Tradução e adaptação)
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