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(Re)Inventar o estudo da Infância: quatro teses a partir da Sociologia da Infância
Abril, 2009
Catarina Almeida Tomás - Socióloga e Investigadora do CICS - Univ. do Minho

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  1.A infância é um caso paradigmático de como se constrói uma identidade sobre a condição da norma de não-cidadão.
  A infância surge, na maioria das vezes, caracterizada por traços de negatividade: a idade da não-adulto, da não–fala, da não-razão, do não-trabalho, da não-cultura e da não-infância (Sarmento, 2000; Ferreira, 2004).
  A emoção associada à experiência com crianças leva-nos, em alguns casos, a adoptar discursos e atitudes que as identificam como uma realidade abstracta formada por objectos de pertença, seres que ainda são incapazes, sujeitos às normas estabelecidas e alheios nas suas capacidades para desfrutar dos atributos de cidadania.
  A infância é ainda perspectivada dentro de parâmetros de um estatuto minoritário, como um período etário onde os indivíduos requerem protecção porque sabem menos, têm menos maturidade, menos força e menos experiência, em comparação com os adultos.

  2.Falar de infância e de crianças implica uma leitura multi e interdiscipinar. Pressuposto que considera a incompleição do mundo científico que ainda se pauta por campos de saberes de costas voltados uns para os outros.
  Investigações mais recentes na Sociologia da Infância permitem-nos afirmar, no entanto, que estamos a assistir a uma transgressão de fronteiras, por exemplo, na relação que a Sociologia da Infância estabelece com o cinema, a literatura e a Biologia, assim como a relação que começa agora a dar os primeiros passos entre campos e disciplinas tradicionalmente afastados entre si, como por exemplo a que se estabelece entre a Sociologia da Infância, a Sociologia do Corpo e os Disabilities Studies ou o importante e fecundo diálogo e colaboração entre cientistas de diferentes correntes da Sociologia da Infância, da Geografia e das Ciências Políticas, que veio dar alento, por exemplo, à participação pública, nomeadamente à participação das crianças na cidade.

  3.Estes passos, ainda que tímidos, de contacto entre disciplinas e campos de saber permitem-nos pensar para além de monopólio do conhecimento por parte de algumas disciplinas quando se fala sobre a infância e as crianças, o que é uma questão de justiça e equidade conceptual.
  A Sociologia da Infância tem contribuído para combater a ideia de incompetência e incapacidade das crianças, privilegiando a concepção da criança como actor social, o que implica o desenvolvimento de um trabalho teórico criativo e empiricamente inovador, sobretudo nas últimas duas décadas.
  As questões que tem levantado, enquanto um activo campo de estudo, permite-nos pensar num paradigma de uma racionalidade política, e por isso mesmo, participativa, contra-hegemónica e solidária. Combatendo, desta forma, um conhecimento hegemónico, tecnicista e, muitas vezes, com enfoque individual sobre as crianças.

  4.A concretização de uma infância cidadã apresenta-se como uma imperiosa necessidade, mas também como uma laboriosa tarefa, na medida em que, para além de outros constrangimentos, não podemos esquecer que a infância não é vivida do mesmo modo por todas as crianças, varia muito quer de sociedade para sociedade quer dentro de uma mesma comunidade ou mesmo dentro de uma mesma família.
  Por conseguinte, podemos afirmar a existência não de uma única infância mas de infâncias: dada a pluralidades de situações, especificidades e características culturais disseminadas da vivência quotidiana deste grupo social e geracional.
  São infâncias com diferentes lógicas, paradoxais, com outros sentidos e com diferentes significações que reafirmam o pressuposto das várias infâncias que têm que ser pensadas com outras categorias de análise e outros pressupostos metodológicos e analíticos.

Socióloga. Correio electrónico: catarinatomas@gmail.com
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