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Encontro de Gerações - Trabalho de parceria crianças/idosos
Setembro, 2008
Ana Paula Jorge e Maria Adelina Roque - Cadernos de Educação de Infância
APEI - Assoc. de Profissionais de Educação de Infância


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  A prática que aqui apresentamos faz parte de um Projecto de Investigação: "Encontro de Gerações – Partilha de Saberes", do Curso de Complemento de Formação em Educação Especial da Escola Superior de Educadores de Infância Maria Ulrich.

  Este projecto nasceu do desejo de aproximar duas gerações: idosos do Centro de Convívio do Arneiro e crianças da Creche do Arneiro (Santa Casa da Misericórdia de Cascais).
  Muitos dos idosos que frequentam o Centro de Convívio estão reformados e sentem-se desocupados, passando os dias sem grandes objectivos e projectos de vida.
  Quanto às crianças da Creche do Arneiro, embora umas mantenham contacto directo com os avós, outras estão privadas do convívio diário com os mesmos.

  A ideia de colocar duas gerações, lado a lado, a partilhar saberes e afectos, no espaço Jardim de Infância, surgiu porque:

  - Acreditamos no valor dos avós e na sua disponibilidade quase incondicional;

  - Acreditamos que quem viveu uma vida tem muito para dar a quem nela começa a dar os primeiros passos;

  - Acreditamos que é urgente educar para a aceitação da "diferença".

  Conscientes do desafio, decidimos fazer a experiência, com o objectivo claro, de que este projecto teria de ser positivo para todos.
  E assim começou…

  Em Setembro, soubemos que, na comunidade, havia um Centro de Convívio da Terceira Idade e decidimos contactá-los para os conhecer.

  Convidámos os idosos e a Técnica de Serviço Social a conhecer a nossa creche.
  Deu-se o primeiro encontro entre crianças e idosos. As crianças descobriram que no grupo de idosos havia avós de outras crianças da creche.

  Depois da visita surgiram algumas dúvidas: saber quem eram aqueles senhores e senhoras e o que vieram fazer. Esclarecidas as dúvidas combinámos que podíamos convidá-los para assistir a um teatro de fantoches, lanchar e conviver, para nos conhecermos melhor.
  Enviámos um convite.

  No dia do encontro fizemos os bolos e preparámos tudo para receber os "avós". Em conjunto, assistimos ao teatro… lanchámos e no recreio convivemos com os "avós". Com alegria e entusiasmo ouvimos histórias, cantámos canções conhecidas e fizemos jogos.

  Em grupo, avaliámos este segundo encontro, quanto às atitudes, à forma de estar e ao relacionamento crianças/idosos. O balanço foi positivo, algumas crianças criaram laços de afecto com alguns elementos do grupo. Tivemos mais uma prova de que os avós são importantes na vida da criança.

  Estas visitas dos "avós de empréstimo" levou as crianças a mostrarem interesse, em convidar os próprios avós, a passar com eles uma tarde na creche.

  As crianças contaram o que habitualmente fazem quando estão com os avós e o que mais gostam de fazer. Fizeram o retrato dos avós e expusemos na sala.

  Fizemos um convite e enviámos aos avós.
  No dia combinado, os avós lancharam connosco, estiveram na sala a ver os nossos trabalhos e a ler o que tínhamos contado sobre eles.

  Sem nunca esquecer os "avós do Clube", que rapidamente denominaram como tal, voltámos a reflectir e, com a colaboração de todas as crianças, fizemos uma listagem de actividades possíveis para desenvolver com os "avós" no Jardim-de infância.

  Escrevemos a carta aos "avós", onde as crianças pediam que lhes ensinassem "coisas" concretas e que estavam ao seu alcance.

  Os "avós" responderam à carta aceitando a proposta e referiam-se às crianças como "netinhos".

  Enviámos um quadro de dupla entrada com datas marcadas, escolhemos as quartas-feiras para as visitas, onde cada idoso se poderia inscrever, colocando, no dia por ele escolhido, a actividade que gostaria de desenvolver com as crianças.

  O quadro foi-nos devolvido e as visitas regulares vieram de seguida. Sozinhos ou em pares, cumpriam a missão de trazer saber e ensinar a fazer.

  Nestas tardes de quarta-feira, muitas foram as actividades por eles desenvolvidas:

  - Contaram histórias de vida e histórias tradicionais;
  - Fizeram jogos tradicionais;
  - Fizeram culinária;
  - Plantaram flores;
  - Fizeram velas;
  - Ensinaram a fazer ponto cruz;
  - Fizeram colares de missangas;
  - Falaram dos moinhos;
  - Ensinaram canções.

  Desta partilha de saberes e troca de conhecimentos, algumas das actividades foram provocadoras de outras, que se vieram a fazer nas salas:

  - Iniciou-se o estudo dos moinhos, fomos visitar um moinho, fizemos pão e bolos para comermos ao lanche e para vender aos pais;
  - Fizemos uma história para a sala a partir de um conto de uma "avó";
  - Na festa de Natal focámos o trabalho com os "avós do Clube" dando a conhecer aos pais o que aprendemos com estas visitas.

  Em cada dia que vinham, os "avós do Clube" traziam o que sabiam e deixavam e levavam "brilho nos olhos" porque sentiam que ainda tinham algo para dar e para receber, sentiam a alegria encher-lhes o coração.
  De Outubro a Dezembro, todos os "avós do Clube" inscritos passaram pela Creche do Arneiro. Estes encontros terminaram antes do Natal com os "avós" a contarem como era o Natal deles quando tinham a idade das crianças. Estas mostraram-se sensibilizadas e reconheceram a diferença que marca as duas gerações.
  Em Janeiro fomos visitar os "avós" ao Clube, cantámos-lhes as Janeiras e eles não esconderam a alegria deste encontro.

  Nestes pequenos mas grandes encontros criaram-se laços de afecto e as crianças mostraram desejo em presentear os "avós", pelos bons momentos passados em conjunto.

  Todos participaram de acordo com a idade:

  - Pintámos frascos de vidro;
  - Fizemos trabalhos de plástica para forrar capas e álbuns de fotografia (oferecemos com uma foto do(a) avô(ó) a fazer a actividade);
  - Fizemos quadros para oferecer ao Centro de Convívio;
  - Fizemos o Jogo do Galo para todos os idosos do Centro;
  - Fizemos um calendário;
  - Contámos o que sentíamos dos "avós";
  - Fizemos bolos para o lanche e…
  …no dia combinado apareceram com as lembranças.

  Entregámos o que tínhamos para os "avós" que nos visitaram, demos as lembranças para o Centro e os bolos para o lanche… cantámos algumas canções tradicionais portuguesas, ensinámos o Jogo do Galo… e deixámos novas propostas de trabalho:

  - Continuar uma história começada por um grupo de crianças;
  - Fazer os fantoches para outra história inventada por outro grupo de crianças.

  No fim, uma das "avós" contou uma história em rima, e tal foi a emoção que carregou, que os seus olhos irradiavam um "brilho" de alegria tão contagiante, que crianças e idosos a ouviram pregados a cada movimento e a cada palavra.

  Por todos estes momentos "ricos" e "cheios" de vida valeu a experiência vivida.
  Esperamos não ficar por aqui porque decerto criaria um vazio dentro de nós. É que os afectos levam tempo a construir e não queremos perdê-los.

  Conseguimos quebrar isolamentos e, nestas trocas entre crianças e idosos, todos saíram a ganhar. Trocaram-se saberes, construíram-se afectos e aprendeu-se o respeito mútuo.

  Quem sabe se um dia estas crianças não irão lembrar estes momentos e estes "avós" com carinho.

  Se não estaremos nós a contribuir para que de futuro sejam "cidadãos" conscientes, sensíveis e respeitadores, lembrando e honrando os idosos para que ocupem um lugar importante na nossa sociedade.

Cadernos de Educação de Infância - Abr./Jun. 2004
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