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As Actividades Lúdico-Desportivas nas Práticas de Lazer em Crianças do 1º Ciclo - Parte I
Junho, 2008
Sandra Moreira e Beatriz Pereira - EB 23 de Paredes
Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho


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Resumo

  As práticas desportivas e as actividades físicas como actividades de ocupação de tempos livres e de lazer, têm uma relevância de destaque quando falamos de crianças e jovens. A importância da actividade física para um desenvolvimento e crescimento equilibrado, bem como, o seu contributo no que diz respeito à aquisição de um estilo de vida saudável em que a actividade física e as práticas desportivas sejam integradas no estilo de vida, valorizando-se a sua forte relação com a saúde é frequentemente ignorada.

  O objectivo deste estudo foi verificar qual o lugar que a actividade lúdico-desportiva ocupa no tempo de lazer, das crianças, identificando as principais influências e impedimentos para a prática e não prática desportiva, saber se a actividade praticada é a preferida e averiguar se existem diferenças entre sexos.

  A amostra neste estudo, realizado através da aplicação de um questionário, foi constituída por 344 alunos, do 3º e 4º anos de escolaridade entre os 7 e os 12 anos de idade, de ambos os sexos, das três escolas do 1º ciclo do Agrupamento Vertical Eugénio de Andrade, da freguesia de Paranhos no centro do Porto.

  As conclusões de maior relevo foram: é estatisticamente significativo o gosto pelo desporto em função do sexo; as modalidades identificadas como oferta são diversificadas; as crianças do sexo masculino praticam mais vezes por semana actividades lúdico-desportivas que as raparigas; a diferentes estractos sociais correspondem práticas de actividade lúdico-desportiva diferenciadas; as actividades lúdico-desportivas preferidas, para a maioria, são as praticadas; as razões que levam as crianças a praticar desporto não se prendem com factores de imposição parental e as razões que levam as crianças a não praticar desporto encontram-se directamente relacionadas ou dependentes da decisão dos seus pais.

Introdução

  As práticas desportivas e as actividades físicas como actividades de ocupação de tempos livres e de lazer, têm uma relevância de destaque quando falamos de crianças e jovens. O tempo livre da criança passou a ser uma questão problemática de organização e gestão muitas vezes difícil e determinado pelos muitos constrangimentos da nossa sociedade.

  A importância da actividade física para um desenvolvimento e crescimento equilibrado, bem como, o seu contributo importante no que diz respeito à aquisição de um estilo de vida saudável em que a actividade física e as práticas desportivas sejam integradas naquele estilo de vida, valorizando-se a sua forte relação com a saúde é frequentemente ignorada.

  Esta importância abrange vários planos, quer ao nível da melhoria e manutenção da condição física, do desenvolvimento global, do exercício corporal e do rendimento desportivo.

  Assim as expectativas, os juízos e as atitudes dos pais relativamente à actividade física poderão desempenhar um importante papel na criação de hábitos de exercício regular.

  Deste modo o reconhecimento da importância da intervenção da família e da comunidade na promoção da actividade física está a aumentar, particularmente porque a actividade para as crianças encontra-se fora do horário da escola e porque a disciplina de educação física só por si não promove actividade física suficiente para ocorrerem significativos benefícios para a saúde (Sallis et al., 2000, ref. por Biddle, Gorely e Stensel, 2004).

  As alterações ocorridas na estrutura social e económica das sociedades têm vindo a criar transformações nos hábitos quotidianos e nos valores dos indivíduos com implicações na ocupação do tempo livre e consequentemente nas oportunidades lúdicas oferecidas à criança. Os modelos urbanos de envolvimento físico não facilitam o desenvolvimento da criança, limitando as suas possibilidades de interacção física e social. Os espaços lúdicos são cada vez mais reduzidos, dado que nos planeamentos urbanos são frequentemente ignorados. A oferta é vasta, a disponibilidade para os filhos é pouca e a insegurança a que estão sujeitas as crianças é elevada (Magalhães, 2005).

  Recentes estudos sobre os efeitos da televisão e jogos electrónicos no comportamento infantil têm vindo a demonstrar a necessidade de dar mais atenção às práticas motoras, já que o grande problema parece ser que a inactividade motora cresce com o avanço tecnológico. A actividade lúdico-motora é uma necessidade urgente como alternativa ao sedentarismo, à fragilidade e inadaptação motora e à falta de sociabilidade. É fundamental criar oportunidades para que a actividade lúdico-motora, aconteça numa sociedade em que as restrições às oportunidades de movimento são constantes (Mota & Rodrigues, 1999). É o esforço em manter a criança intelectualmente activa e corporalmente passiva (Neto, 1997b). É a tentativa de equipar a criança com o maior número de competências esquecendo-se que algumas delas são brincar, estar, dormir, pensar, descansar.

  O artigo 31º da convenção dos direitos da criança reconhece o direito ao repouso e aos tempos livres, o direito da criança ter acesso a jogos e actividades recreativas próprias da sua idade, e participar livremente na vida cultural e artística, facultando-lhes uma melhor qualidade de vida.

  No entanto, o processo de desenvolvimento não se dá de uma forma automática. É necessário proporcionar à criança oportunidades de vida em que lhe seja possível proceder à exploração de si, dos outros e dos contextos em que se inserem, para gradualmente procederem a uma descentração de si, sendo capazes de se situarem como sujeitos singulares no meio dos outros (Pereira, 1993). É durante este processo que a criança faz as suas aquisições que, segundo Bruner (1986), se tornam mais rápidas se acontecerem em contextos lúdicos enriquecidos.

  As actividades lúdicas de ocupação do tempo livre são um meio essencial da educação de hoje e da vida, pois promovem o desenvolvimento integral da criança. Contudo, não podemos esquecer que os comportamentos lúdicos estão sujeitos aos modelos socioculturais. O contexto social é uma referência fundamental no que diz respeito à estimulação nas crianças de motivações, valores e normas de conduta na prática de todas as suas actividades, nomeadamente as actividades lúdicas. Esse contexto da criança condiciona as oportunidades, escolhas e preferências das actividades de tempo livre. A interacção recíproca entre a criança e a diversidade de características do contexto em que vive interfere no seu processo de desenvolvimento moldando as suas representações e práticas sociais.

  Normalmente quando falamos de tempo livre na criança, referimo-nos aos períodos do dia em que a criança não está na escola e, como tal, cabe à família encontrar soluções para este período.

  É facilmente justificada a atenção especial dedicada às crianças se reconhecermos que a prática de actividade física junto de crianças e jovens assume um papel fundamental não só no que diz respeito ao seu crescimento e desenvolvimento, mas também à aquisição de hábitos de prática desportiva regular que são fundamentais para que esta se possa reproduzir ao longo da sua vida.

  Assim, segundo Wold e Anderssen (1992, citado por Esculcas, 1999), as crianças em idade escolar deveriam ser consideradas como um grupo alvo na promoção de actividade física habitual.

  Inspirados por esta dialéctica entre a actividade física/desportiva e o tempo livre da criança, formulamos as seguintes questões de partida: Qual o lugar que a actividade lúdico-desportiva ocupa no tempo de lazer das crianças? Quais as influências para a prática e não prática de actividade lúdico-desportiva no tempo de lazer das crianças?

  Neste sentido, foram objectivos deste estudo: verificar qual o lugar que a actividade lúdico-desportiva ocupa no tempo de lazer das crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico do Agrupamento Eugénio de Andrade (entre os 7 e os 12 anos); identificar o tipo de actividade lúdico-desportiva praticada nas práticas de lazer; se existe diversidade das práticas ou concentração em número reduzido; saber se a actividade praticada é a preferida; se existem diferenças entre sexos, identificando as influências e os impedimentos que condicionam a prática desportiva, estudando a influência dos pais no envolvimento desportivo primário dos alunos.

continua...
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